segunda-feira, 20 de Julho de 2009

Dom Rafael Tinto 2006

Tudo começou na cortiça. É verdade, foi no inicio do séc. XIX que a história desta empresa começou a escrever-se ao longo das gerações. Thomas Reynolds começou tudo do zero fazendo um negócio bem lucrativo na altura, venda de cortiça. Três gerações passaram até que John Reynolds adquiriu a Herdade do Mouchão com 900 hectares e foi aí que tudo começou com a plantação da vinha. Em 1901 construiu-se a adega. Diz-se que foi John que trouxe as primeiras plantas de Alicante Bouschet de França para Portugal. Nos anos 50 expandiram a área de vinha e mais ainda depois da Revolução de 74. Hoje contam com mais de 38 hectares de vinha, mas tudo ainda em crescimento.

Esta marca é a segunda da Herdade do Mouchão. D. Rafael era o nome dos primeiros proprietários. A primeira colheita desta marca foi em 1990. O lote conta com Trincadeira, Piriquita, Aragonez e uma pequena percentagem de Alicante Bouschet. Vinificação em cubas de inox e estágio de 12 meses em barricas de carvalho. Esta empresa tem Paulo Laureano como enólogo.

Granado intenso e violáceo. Nariz com aromas profundos a fruta madura, as pequenas e pretas amoras aromatizadas com morangos, bagas silvestres e mais alguma fruta madura que se vai mostrando de maneiras diferentes com a evolução no copo. Sugestões balsâmicas como a baunilha e eucalipto agregam-se com especiarias doces e com outros aromas mais torrados como o café. Violetas e rosas acabam por compor o nariz. Com algum tempo em copo aromas mais evoluídos aparecem junto com maiores quantidades de madeira, tosta. Boca com notas tostadas intensas casadas com algum vegetal fresco. Boca aveludada, típica de um vinho alentejano, com taninos ainda bem firmes, conferindo frescura intensa ao vinho. Resinas, cedro e caruma seguram a base frutada de framboesas, morangos, bagas e algum medronho. Vinho de média persistência com final frutado e médio especiado.

Para primeira recepção da Herdade do Mouchão aqui no nosso blog estamos muito satisfeitos. Não é vendido a um preço “impossível”, 6-8€. Para quem tenha uma destas garrafas em casa não tenha pressa em abrir. Com mais dois anos de evolução em garrafa, estará no auge (pensamos nós).

Nota: 16-16,5

2 comentários:

Copo de 3 disse...

E com tanto vinho na cabeça o MOUCHÃO passou a Monchão...

Vá... menos entusiasmo e mais atenção.

Raul e Joel Carvalho disse...

É boa essa... Obrigado pelo toque... Vou já mudar...

Abraços